A história das transferências de dinheiro

O desenvolvimento do dinheiro, do sistema monetário e das instituições financeiras foram marcos históricos na evolução da civilização humana. Houve muitas mudanças e evoluções no modo de realizar transferências de dinheiro. E a movimentação de dinheiro ao longo da história promoveu importantes interações entre pessoas, tanto localmente, quanto de diferentes lugares do mundo.

No início das instituições financeiras, para realizar qualquer transação, era preciso se deslocar até a instituição e esperar que um funcionário o atendesse. Posteriormente, apesar do deslocamento, era possível realizar suas transações em um caixa eletrônico. Agora, não é preciso nem sair de onde você está. Muitas transações podem ser feitas pelo computador ou smartphone.

Estamos em uma nova era, de interações facilitadas e dinâmicas. Isso faz parte da nossa sociedade, até mesmo em relação ao nosso dinheiro! Para entender um pouco sobre como as transferências evoluíram, fizemos um resumo sobre o dinheiro, as instituições que o administram e como as transferências de dinheiro evoluíram!

Primeiro, um pouco sobre a história do dinheiro

A troca de produtos e serviços, prática conhecida como escambo, é a origem do sistema monetário que evoluiu e é utilizado hoje. Em certo momento, alguns produtos começaram a ter mais valor para a sociedade. Então, começaram a ser utilizados como um objeto de valor de troca, como gado, ovelhas, vegetais, grãos e sal.

Posteriormente, por volta de 1100 A.C., na China, começaram a ser utilizadas, ao invés dos produtos conhecidos, algumas pequenas réplicas de armas e ferramentas como meio de troca. Conta-se que as formas compridas das ferramentas não eram práticas de serem carregadas. Então, os chineses as substituíram por formas redondas. Estas acabaram sendo as primeiras moedas conhecidas, como as que ainda utilizamos hoje. O uso de metais preciosos como moeda parece ter surgido para ser utilizado em trocas entre países diferentes e em conquistas militares. Além disso, a China foi a primeira nação a reconhecer as moedas como um objeto de valor agregado.

Transferências de dinheiro.

Já em 600 A.C., no reino de Lídia (atualmente, parte da Turquia), foram criadas e utilizadas as primeiras moedas cunhadas – quando uma estampa é feita no metal. Estas eram as primeiras moedas oficiais, feitas a partir de uma mistura de prata e outro, e estampadas com fotos. As fotos funcionavam como uma classificação do valor declarado da moeda. Conta-se que a primeira impressão em uma moeda foi a figura de um leão rugindo.

A utilização de moedas na Lídia impulsionou o crescimento de trocas internas e externas. Na mesma época, Chineses e europeus também utilizavam moedas. E, por volta de 900 D.C., os Chineses migraram para o dinheiro em papel. Disruptivo, não? Os europeus demoraram mais, utilizando moedas de metais preciosos até cerca de 1600 D.C.

O dinheiro em papel podia ser utilizado para comprar bens e serviços, operando praticamente como o conhecemos hoje. A diferença crucial entre aquela época e os tempos atuais é que antes, a criação do dinheiro era realizada por instituições privadas, não sendo responsabilidade do governo, como é hoje.

Tem um infográfico legal aqui.

Também, um pouco da história dos bancos

Em determinado momento, após a consolidação do dinheiro como objeto de valor agregado, surge a necessidade de se emprestar ou guardar dinheiro. As primeiras operações bancárias, de acordo com o que se sabe, ocorreram ainda na civilização fenícia. Também, tem-se notícias de instituições bancárias na Mesopotâmia. Há registros de depósitos, juros, empréstimos e recibos, tais qual são realizadas hoje.

Eram utilizadas barras de argila como “ordens de pagamento”, gerenciadas por instituições privadas. Como dissemos, quaisquer operações ou serviços relacionados às finanças das pessoas eram de responsabilidade privada, não do governo.

Na civilização egípcia, também existem registros de uma espécie de indústria bancária. Em armazéns, fazendeiros depositavam seus grãos colhidos e, em troca, recebiam um recibo. Estes continham informações como a quantidade de grãos deixados no armazém.

Posteriormente, os recibos começaram a ser utilizados como meio de pagamento à terceiros. Mesmo após a adoção de moedas de metal, os egípcios continuaram a utilizar o depósito de grãos e o uso de recibos como meio de troca.

Foto de um cofre com notas de dinheiro e moedas ao redor, representando economia de dinheiro

Depois, vieram os negociantes de ouro e prata, os quais possuíam cofres e guardas e poderiam prover a segurança das moedas e notas das pessoas. Essa função se popularizou e os profissionais começaram a ser chamados de banqueiros. Eles costumavam ficar em feiras, onde as pessoas os abordavam a fim de trocar moedas por outros produtos. O banqueiro realizava a pesagem e avaliação dos metais, a partir de uma comissão.

Esta seria a origem do que seriam os primeiros bancos. A denominação “banco” tem origem romana e vem das mesas onde eram realizadas as transações monetárias.

A história crucial do surgimento de sistemas bancários acontece entre os séculos 12 e 13, nas cidades italianas de Florença e Gênova. Curiosidade: o banco mais antigo do mundo e ainda em funcionamento é o Banca Monte dei Paschi di Siena, localizado em Siena, na Itália, desde 1472.

No Brasil, o primeiro banco se instalou com a vinda de Dom João VI e a família real portuguesa, em 1808, iniciando suas atividades em 1809. Somente em 1836 foi aberto o primeiro banco comercial privado.

Os primórdios das transferências

Desde que se tem notícia de alguma forma de se transferir dinheiro, os processos mudaram e evoluíram. Mas, seu conceito permanece o mesmo: não carregar o dinheiro até seu destino. A ideia era encontrar maneiras de substituir o dinheiro por algo que contenha informações de valor e outras importantes.

Acredita-se que os Chineses deram os primeiros passos no que se tornariam as transferências bancárias. Vemos que os chineses foram sempre os pioneiros em relação a dinheiro! Agora, a tendência é que eles sejam os primeiros a abandonar o uso do papel-moeda. Mas isso é assunto para outro artigo!

Os Chineses criaram um sistema de “dinheiro voador” no começo do século IX, praticamente após iniciarem o uso de papel-moeda. Conta-se que, a fim de evitar que fossem furtados durante viagens, não carregavam o dinheiro consigo. Ao invés disso, pagava-se a um representante de um comércio em sua cidade e se recebia um papel dividido em duas partes – como um recibo. Uma das partes era armazenada com o representante. Após a viagem, o cliente recebia os produtos e entregava a outra parte do papel ao comerciante, como confirmação do pagamento. Depois, o comerciante retirava o dinheiro com o representante, apresentando a outra parte do recibo.

Mas, somente na metade do século XIX é que as transferências de dinheiro se tornaram comuns. Elas utilizavam o mesmo princípio das transações chinesas.

Foto de algumas moedas destacadas na frente, com um relógio ao fundo, representando o tempo economizado nas transferências de dinheiro eletrônicas.

E, finalmente, as transferências eletrônicas

Há cerca de 150 anos, durante a revolução industrial e o processo de globalização, houve o advento do telégrafo. A partir daí, tem-se notícia das primeiras transferências que deram origem ao modelo que utilizamos hoje em dia. Naquela época, era uma forma totalmente nova de transferir dinheiro – a transferência eletrônica.

Essas transações telegráficas foram as primeiras transferências digitais de dinheiro. Mas, só aconteciam nos Estados Unidos. Posteriormente, quando esse modelo se espalhou pelo mundo, tornou-se o método de transferir dinheiro de maior popularidade.

Para facilitar ainda mais, surgem os caixas eletrônicos

Em 1967, houve a inauguração do primeiro caixa eletrônico, em Londres. Ele possibilitava que os clientes consultassem seus saldos e realizarem saques eletronicamente. Foi um enorme desenvolvimento das transações eletrônicas, crescendo rapidamente em alcance de público e em evolução das tecnologias.

No Brasil, o Estadão noticiou a chegada dos primeiros caixas eletrônicos, em 1983. Os cartões perfurados eram retidos pela máquina para a realização das transações solicitadas e devolvidos ao cliente por correios.

Foto de uma pessoa utilizando um caixa eletrônico.

As transferências de dinheiro modernas

As TEF (transferências eletrônicas financeiras) quebraram paradigmas na história das transações monetárias.

Desde o início da era digital, informações codificadas proporcionaram a circulação de dados mais rápidos e seguros. Agora, com os avanços nas telecomunicações e em suas tecnologias, o mercado de pagamentos entrou em uma nova era, onde as transações acontecem ainda mais rapidamente.

A popularidade das transferências eletrônicas foi tanta que inspirou diversas instituições privadas a oferecerem esse serviço, até mesmo sem envolvimento dos bancos. Hoje, existem inúmeros sistemas pelo mundo que permitem ao usuário realizar transferências de dinheiro. Especialmente porque esses serviços têm alta demanda.

Com o grande alcance da internet, e com o acesso às informações sobre o uso de computadores e smartphones, o internet banking começa a fazer parte da vida de mais pessoas. Este é um serviço oferecido por bancos e instituições financeiras, que permite ao usuário executar transações bancárias online – inclusive transferências de dinheiro.

O internet banking

O conceito, as funcionalidades e a estrutura dos serviços de internet banking vem evoluindo com o desenvolvimento da própria internet. A ideia surgiu por volta da década de 80, nos Estados Unidos e na Europa, a fim de criar um “home banking”, ou seja, um local onde os clientes poderiam realizar serviços bancários sem sair de casa – sem precisar se deslocar até uma agência bancária.

Mas, naquela época, os computadores e a internet não eram tão desenvolvidos como são hoje. Isso limitava a experiência do cliente, fazendo com que as operações do “home banking” fossem realizadas através de máquinas de fax e telefones.

Posteriormente, a ampla utilização da internet e a propagação de conhecimentos em programação de computadores criaram um cenário propício para oportunidades de desenvolvimento do “home banking”.

O desenvolvimento inicial do “home banking” foi baseado nos códigos e tecnologias que funcionavam para os caixas eletrônicos. Esse serviço se tornou ainda mais significativo e começou a ter mais clientes adeptos após a consolidação do e-commerce. Quando grandes bancos ao redor do mundo começaram a oferecer serviços e produtos online, o internet banking começou a ganhar a confiança dos consumidores.

Hoje, o conceito de internet banking se baseia no uso de qualquer sistema de pagamentos eletrônicos, que permitem que o usuário de uma instituição financeira realize transações através de sites ou aplicativos de celular.

Os primeiros testes do novo conceito de “bancos remotos” começaram em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Naquele momento, não houve uma adesão significativa dos usuários, fazendo com que o fosse deixado de lado. Até que o, em 1983, surge o primeiro serviço de internet banking que teve alguma relevância, no Reino Unido. Conta-se que ele era baseado em um sistema dos correios do Reino Unido, conhecido como Prestel.

Apesar da adoção dessa tecnologia ter sido lenta quando se iniciou, hoje, as transferências de dinheiro online são a maneira mais popular entre as opções para realização desse tipo de transação.

Foto de uma mulher realizando transferências de dinheiro pelo computador e pelo celular.

Pagamentos por aplicativos para smartphones

Em 2007, com o lançamento do iPhone pela Apple, os serviços financeiros antes realizados por computadores, começam a das os primeiros passos para serem feitos por celulares. Depois disso, a presença dos celulares na vida das pessoas só cresce. Consequentemente, movimentar e administrar dinheiro pelo celular se tornou hábito.

Hoje, os serviços financeiros online estão se tornando cada vez mais presentes na vida dos usuários, estando muito mais desenvolvidos e em constante atualização. Eles incluem transações online feitas por celular, ou também o chamado pagamento “person-to-person”. Este não envolve uma instituição ou uma terceira pessoa, apenas os dois participantes da transação.

O uso dessa tecnologia está em ascensão: cerca de 60 milhões de pessoas no mundo utilizam serviços financeiros pelo celular.

As transferências de dinheiro online oferecem vantagens diante das offline, como a possibilidade de acesso 24 horas, sete dias por semana, de qualquer lugar. Geralmente, são bastante fáceis, podendo ser feitas com apenas alguns cliques.

Além disso, um marco importante na história das transferências de dinheiro é a democratização desse serviço a partir do uso de aplicativos para celular. Porque, normalmente, as instituições que oferecem esses serviços permitem que qualquer pessoa acesse a plataforma.

Também, as transferências de dinheiro online proporcionam segurança a seus usuários, já que não é preciso se locomover até uma agência bancária carregando dinheiro em espécie. Esse fator muda a forma como as pessoas se relacionam com seu dinheiro e seus pagamentos.

Considerações finais

A forma como administramos e nos relacionamos com o nosso dinheiro evoluiu tanto quanto a humanidade. Ainda mais com o desenvolvimento de novas tecnologias. Elas nos permitem interagir com o dinheiro de qualquer lugar, a qualquer momento.

As novas tecnologias facilitam, principalmente, o acesso de qualquer pessoa, independente de suas condições financeiras, aos serviços financeiros.

Foto de um rapaz segurando um cartaz que contem informações sobre as inovações na área de transferências de dinheiro.

É muito importante nos mantermos atualizados em relação aos serviços financeiros disponíveis. Assim, podemos escolher o que atende melhor às nossas necessidades!

E você, está acompanhando a evolução do dinheiro e das maneiras de utilizá-lo? O que você acha da inserção da tecnologia na indústria financeira? Comente aqui!

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