Pagamentos via celular mudam a maneira de usar dinheiro

Desde os tempos em que o dinheiro tinha a forma de uma pedra, ele tem valor a partir da informação que contém. Nos dias de hoje, a tecnologia tornou possível que esta informação possa ser veiculada através de meios digitais. Ocorre, então, a possibilidade de se realizar transações financeiras alternativas. São os cheques, cartões de crédito e débito, sistemas de transferência eletrônica e os pagamentos via celular.

O aumento do alcance da tecnologia e da internet permite que cresça cada vez mais o número de pessoas conectadas. Aumenta também a possibilidade das pessoas utilizarem o celular para realizar pagamentos.

O Brasil tinha 168 milhões de smartphones em uso em 2016, além do celular ser o meio mais utilizado para acessar a internet. Tem-se aí uma grande oportunidade para a criação de serviços de pagamentos pelo celular. Já existem diversas instituições que aliam tecnologia a finanças e oferecem vários modelos de plataformas de pagamentos via celular.

Apesar das inúmeras possibilidades e dos avanços tecnológicos, o papel-moeda representa uma grande parte das transações no mundo. Então, por que a dificuldade de o substituir por dinheiro online?

Notas de 100 e 50 reais

O hábito é uma forte razão para que as pessoas continuem com certos comportamentos. Principalmente quando existem várias partes envolvidas, como é o caso de uma transação financeira.

Para um pagamento digital, as partes envolvidas precisam estar conectadas em redes compatíveis e devem possuir contas conciliáveis ao método de transação escolhido. Se esse último ponto não é possível, uma terceira parte deve estar presente, como uma adquirente de cartão de crédito, por exemplo.

As cédulas e moedas também traduzem certo senso de controle sobre os gastos, pois a quantia gasta é visível. Esse é um fator conveniente para quem se importa com o orçamento e quanto ele está variando.

O dinheiro oferece anonimato e privacidade financeira, o que pode ser uma motivação para pessoas que não pretendem estabelecer nenhum tipo de registro rastreável com as outras partes participantes da transação.

Por outro lado, o uso de transações financeiras não anônimas pode ser vantajoso quando se quer diminuir a possibilidade de fraude.

Apesar dos empecilhos, os pagamentos digitais são tendência, proporcionando o maior poder de inovação nos processos de negócios.

Os serviços de pagamento pelo celular apresentam uma grande vantagem em relação ao dinheiro em papel: a invisibilidade, ou seja, não requerem a presença de dinheiro físico. Uma das principais inconveniências do papel-moeda é que ele é palpável. Ou seja, ele está em algum lugar e deve ser levado a outro. Nenhuma tecnologia existente tem a capacidade de mover o dinheiro da sua carteira. E para que uma transação em dinheiro aconteça, as duas partes interessadas devem se organizar e se encontrar pessoalmente. Assim, essa transação apresenta custos inerentes, como o custo do deslocamento ou o risco de perda ou furto.

Além disso, os pagamentos por celular podem oferecer melhores experiências de compra, já que o pagamento não precisa mais ser um processo demorado a ser feito após a aquisição ou consumo de um produto.

E a tendência atual é que os smartphones se tornem uma carteira digital, substituindo o dinheiro e os cartões! O termo se refere ao uso de dispositivos móveis para realizar pagamentos, adquirir cupons, comprar serviços, realizar transferências de dinheiro de pessoa para pessoa e outros. Os celulares poderão ser o meio de pagamentos para lojas, restaurantes e até transportes. Uma pesquisa mostrou que “carteira digital” foi o termo mais popular das conversas sobre pagamentos no Facebook, com 72% de menções positivas. O uso de carteiras digitais em estabelecimentos comerciais foi o sub tópico mais comentado.

Algumas condições favorecem o uso das transações financeiras digitais, como o aumento no aprendizado na utilização de serviços financeiros. Os usuários estão cada vez mais habilitados a utilizarem computadores e smartphones. Também, o aumento da consciência em relação a presença dos serviços financeiros online e a busca dos usuários por redução nos custos de transações financeiras. Por fim, o crescente acesso à computadores e/ou smartphones e à internet favorece o uso desses dispositivos para realizar serviços financeiros.

Os pagamentos digitais já fazem parte da realidade dos brasileiros. Mas, em outros países, eles já tomaram proporções muito maiores. Na China, cresce a cada ano o número de pessoas que não carrega mais nenhuma cédula ou moeda consigo. Cerca de 40% da população utilizam meios digitais para fazer compras ou transferir dinheiro para outra pessoa. A Suécia é outro país que caminha para o abandono total do papel-moeda. No mundo, 620 bilhões de dólares foram transacionados através de smartphones em 2016.

Foto de uma mulheres segurando um smartphone, representando um pagamento sendo feito via celular.

Algumas mudanças recentes podem ser decisivas para que os pagamentos por celular se tornem cada vez mais seguros e ganhem a confiança e adesão dos usuários. A redução de fraudes, a personalização e a integração de soluções de pagamentos são fatores que tendem a se desenvolver, favorecendo o usuário.

No começo desse ano, os pagamentos digitais, os quais não envolveram nenhum dinheiro em espécie, cresceram 10,1% em relação a 2014. Isso mostra que esse tipo de transação está tomando espaço. Se quisermos acompanhar as mudanças econômicas atuais, precisamos aderir aos pagamentos digitais! É claro que nem todas as alternativas ao uso do papel moeda satisfazem a todas as necessidades dos consumidores. Mas, felizmente, o desenvolvimento tecnológico proporciona que diversas novas opções surjam no mercado, cada uma satisfazendo um tipo de cliente!

Fontes

KALAKOTA, R.; WHINSTON, B. A. Electronic commerce: a manager’s guide. ISBN 0-201-88067-9. [S.l.], 1997.

ALBERTIN, A. L. Comércio eletrônico: um estudo no setor bancário. In: XXII ENCONTRO ANUAL DA ANPAD (1998: Foz do Iguaçu). Foz do Iguaçu: ANPAD, 1988.

CHAKRAVORTI, B.; MAZZOTTA, B. D. The Cost Of Cash In The United States. The Institute For Business In The Global Context. 2013

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *