Os ignorados: a história do iU e porque oferecemos transferência de dinheiro sem taxas

Muitos me perguntam por que decidi criar o iU (uma adaptação de “you”, que significa “você”, em inglês).

Um dos principais motivos foi uma situação que o empreendedor Roy Sosa, fundador da Rêv Worldwide, narrou para mim. Em uma reunião no Banco Mundial para discutir inclusão financeira, um banqueiro presente alegou que as pessoas eram ignorantes demais para usar a tecnologia que eles estavam disponibilizando. Roy imediatamente retrucou: “Eles não são ignorantes. Eles são ignorados”.

Essa frase me marcou profundamente e me fez refletir que, de repente, tudo o que estávamos fazendo era, de certa forma, errado. As ferramentas criadas pelo sistema financeiro não eram pensadas nas pessoas e em suas necessidades.

Por exemplo, o débito automático é uma funcionalidade inovadora e super legal. Até o momento em que sua conta de luz chega com um valor muito acima do normal e desestabiliza todas as suas finanças do mês.

Ou quando, após sair cansado do trabalho, é preciso enfrentar uma fila na lotérica para pagar uma conta qualquer – o que não é propriamente uma conveniência. Especialmente se você ainda tiver que encarar 2 horas em um busão lotado para chegar em casa.

Por outro lado, algo estava dando bastante certo. O digital está invadindo todas as classes. O Facebook e o Whatsapp chegaram como furacões entrando nas casas e na vida de quase todo mundo.

De acordo com uma pesquisa divulgada pelo site Social Bakes, especializado em monitoramento de redes sociais, o brasileiro é, no mundo, o público mais ativo no Facebook. E o número de usuários ativos no Whatsapp, o popular “ZapZap”, chega a 120 milhões, ultrapassando o Facebook.

É fácil entender o valor que essas redes sociais criam para as pessoas. Elas expandem significativamente suas conexões sociais, que antes poderiam ser limitadas a vizinhos e amigos de trabalho, com quem conseguiam manter um relacionamento ativo.

Assim, as redes sociais produzem um efeito parecido com o que o telefone celular trouxe quando chegou ao mercado. Mas de maneira exponencial, já que melhorou muito a experiência do usuário pela adição de imagens e vídeos às conversas. E devemos ressaltar o principal fator que leva a tamanha popularização desses serviços: a diminuição dos custos!

Além disso, o acesso à internet ultrapassa 50% da população brasileira. E já no ano passado, o número de usuários que se conectaram à internet pelo celular foi superior aos acessos pelo computador.

Ou seja, a internet no celular está cada vez mais acessível, mas os problemas com meios de pagamento tradicionais continuam. Então, temos um ambiente bastante favorável à geração de oportunidades para a criação de serviços de pagamento via celular.

No Brasil, nos últimos 10 anos, houve diversas tentativas de lançar plataformas de pagamentos digitais, como o “Oi Paggo”, a “Wappa” (que mudou os rumos do negócio e se tornou uma ótima plataforma de gestão de táxi corporativo) e algumas outras.

Cada uma das grandes operadoras de celular tentou fazer a sua plataforma, em parceria com algum grande banco. A Vivo, por exemplo, lançou o “Zuum”, sistema de cartões pré-pagos e mobile, que vem tendo relativo sucesso.

Pensando em tudo isso e tentando entender o que houve com os pagamentos por celular no Brasil, acredito que eles estão seguindo os seis “D” de Steven Kotley. Esse conceito explica como tecnologias inovadoras avançam exponencialmente. Os seis “D” são:

  • Digitalização – a tecnologia começa a avançar exponencialmente quando algo é digitalizado. Assim, ela se torna informação e permite um crescimento rápido e exponencial, com baixos custos. No caso do dinheiro, quando ele se torna uma informação digitalizada, os custos podem diminuir e as tecnologias envolvidas em suas transações avançam para atender às necessidades dos seus usuários;
  • Decepção – quando uma nova tecnologia é introduzida em um meio, cria-se muita excitação. Mas, pode levar um tempo até que ocorra a adoção em massa. Então, toda a excitação inicial se transforma em decepção e essa tecnologia pode até mesmo cair em esquecimento;
  • Disrupção – a nova tecnologia tem um impacto significativo em indústrias estabelecidas, ameaçando-as em seus mercados;
  • Desmonetização – custos começam a desaparecer pelo uso da nova tecnologia;
  • Desmaterialização – assim como custos, muitos ativos reais que antes faziam sentido, agora, com a nova tecnologia, deixam de ser necessários. Pensem nas agências bancárias como exemplo;
  • Democratização – a tecnologia se torna mais simples e mais acessível a todos. A popularização é rápida devida aos outros “D” mencionados.

Infelizmente, devido a grande concorrência entre as grandes operadoras de telefonia móvel e entre os grandes bancos, o mercado de pagamentos via celular ficou “travado”. A grande limitação foi a falta de interoperabilidade entre as diversas plataformas.

Mas esse cenário mudou com a chegada dos smartphones e dos planos de dados pré-pagos. Através dos canais digitais, qualquer plataforma pode alcançar qualquer cliente, independente da sua operadora de celular ou do seu banco. O melhor é que o custo é  significativamente reduzido. Era esse o “D” que faltava – desmonetização com a diminuição de custos.

No que concerne às regulamentações, houve um grande avanço no Brasil com a aprovação da Lei 12.865 de 2013 e a criação das entidades de pagamentos. Elas criaram um arcabouço legal para empresas de pagamentos via celular operarem com toda segurança jurídica.

Com todos os ventos soprando a favor, decidi que era hora de montar o aplicativo iU. Mas, diferente de outras iniciativas, o nosso grande foco seria substituir dinheiro, não produtos bancários. Decidi criar uma plataforma que, inicialmente, atacava quatro características principais do dinheiro. Acredito que essas características foram barreiras para outras plataformas no passado.

  • Poder de decisão – no iU, como é com o dinheiro, os pagamentos são todos efetuados pelo cliente. Todos os débitos têm que ser aprovados, independente do valor. Como dinheiro, quero que o cliente tenha poder total sobre o que vai pagar ou não;
  • Custo das transações – todas as transferências entre pessoas são e sempre serão gratuitas, independente do número de transações ou do valor. Este é um grande desafio;
  • Custo do dinheiro – no iU, você nunca vai perder seu dinheiro, diferente de notas ou moedas, onde isso pode acontecer;
  • Liquidez – outro grande desafio é combinar a liquidez com a gratuidade. Para isso, apresentamos o conceito de economia compartilhada. Queremos permitir que as pessoas que têm acesso ao sistema financeiro nacional (aquelas que possuem uma conta bancária) sejam o meio de acesso para as pessoas que não têm uma conta bancária.

Entretanto, o dinheiro possui outra característica que também é muito importante: facilidade de uso. Assim, como podemos criar algo que seja tão fácil de usar quanto dinheiro? Fomos buscar inspiração nas plataformas sociais, especificamente nas de mensagem.

Fazer pagamentos por celular deveria espelhar a experiência de se enviar e receber uma mensagem. E deve ter as seguintes características:

  • Ser muito fácil de usar, desde do acesso ao aplicativo até a escolha da contraparte e da estrutura de segurança;
  • Funcionar em “tempo real”, ou seja, que o dinheiro seja transferido no momento do envio;
  • Estar  disponível 24 horas, 7 dias por semana;
  • Ser gratuito, não repassando nenhum custo de operação para o usuário.

Além disso, acredito na mudança da forma como os clientes fazem seus pagamentos. O boleto, por exemplo, apesar de ser o instrumentos de pagamento mais utilizados no Brasil, parece ser algo ultrapassado, visto os avanços na tecnologia. Especialmente quando se pensa na experiência que as pessoas tem. Imagine explicar para meu filho de 12 anos que ainda hoje, alguêm recebe um pedaço de papel pelo Correio e tem de ir a um local físico com esse pedaço de papel e dinheiro para fazer um pagamento…

Dessa forma, estamos estudando profundamente a forma como as pessoas usam e se relacionam com o dinheiro. Queremos oferecer soluções que considerem suas necessidades e suas realidades, ajudando a resolver seus verdadeiros problemas. Muitas vezes, esse problema não é falta de dinheiro para pagar as contas, mas sim o custo associado ao deslocamento até uma lotérica e o tempo despendido para realizar esses pagamentos.

iU chegou para descomplicar seus pagamentos! E esse é o time por trás de tudo:

Foto de 5 pessoas que compõem o time do iU APP, um aplicativo para enviar e receber dinheiro pelo celular.

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